segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Investigações sobre morte de estudante em Cuiabá



BRASÍLIA (DF) - A ministra Maria do Rosário, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos e o deputado federal Márcio Marinho (PRB-BA) acertaram uma visita a Cuiabá, onde se reunirão com as autoridades responsáveis pelo inquérito que apura a morte do estudante da República da Guiné Bissau, Toni Bernardes da Silva. A ministra e o parlamentar estão preocupados com o andamento das investigações que envolvem dois policiais militares e o filho de um delegado de policia da capital de Mato Grosso, acusados de terem espancado o estudante até a morte, em setembro.

O deputado Márcio Marinho, que é presidente da Frente Parlamentar em Defesa dos Países Africanos, lembra que é importante apurar se o caso não se trata de um ato discriminatório. A Frente dialogou com a ministra, a pedido da União de Negros pela Igualdade. O republicano afirma que o assassinato de Toni repercutiu negativamente na imagem do País, o que pode interferir até em futuros acordos internacionais.

O deputado do PRB informou ainda que vai manter contato com a família do estudante. “Não podemos aceitar a impunidade dos que mataram Toni e queremos ainda saber se o que aconteceu não teve um fundamento racista, o que terá um impacto ainda maior na pena dos responsáveis”, lembrou Márcio Marinho.

O estudante de Guiné Bissau foi morto a pancadas pelos policiais militares e um empresário (filho de um delegado), durante uma briga em uma pizzaria em Cuiabá. Os agressores foram presos em flagrante. Tony era estudante da Universidade Federal do Mato Grosso, dentro de um programa de convênio de graduação, mantido com países africanos. Segundo a instituição, o estudante não teria cumprido algumas metas do acordo, que proíbe faltas e reprovações. A universidade alegou também que Toni apresentou problemas de má conduta, tendo se envolvido com uso de entorpecentes.

De acordo com as regras do programa de intercâmbio, os alunos recebem uma bolsa de estudos, no valor de um salário mínimo mensal. Com esse dinheiro, eles devem custear os estudos, pagar alimentação, transporte e moradia. Desde que foi desligado do “PEC-G”, segundo informações da UFMT, Toni Bernardes da Silva parou de receber o auxilio. Sem emprego e família no Brasil, o estudante ficou dependendo de favores de amigos.

A posição da UFMT chamou atenção da ministra e do deputado, que querem saber se houve alguma iniciativa para apoiar o estudante em sua adaptação ao País. “Vamos ouvir os representantes da universidade para saber se o abandono a Tony é uma praxe, o que pode contribuir para colocar outros estudantes de nações amigas em situações de risco”, afirmou Márcio Marinho.

Por Paulo Gusmão
Foto: Jessé Vieira

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